Ação Cidadania e Gestão Ambiental: Março 2012

Há abuso no uso de ‘sustentabilidade’, diz criadora do termo

on sexta-feira, 23 de março de 2012


O conceito de desenvolvimento sustentável e sua irmã, a sustentabilidade, têm sofrido abusos, especialmente das empresas. Quem diz é a mãe das crianças, a norueguesa Gro Harlem Brundtland.
Ex-premiê da Noruega, Brundtland, 73, chefiou a comissão que em 1987 produziu o relatório “Nosso Futuro Comum”, onde o conceito de desenvolvimento sustentável foi cunhado. O relatório serviu de base para a Eco-92.
Ela diz que o desenvolvimento sustentável, aos 25 anos, ainda não foi implementado. E que, mesmo com o sequestro da noção de sustentabilidade por empresas que não têm práticas nada sustentáveis, o par não deve ser abandonado. “Mesmo que alguém inventasse outra definição, e eu ainda não vi isso, eles encontrariam um jeito de fazer mau uso dela.”Desde 2007, ela integra juntamente com Fernando Henrique Cardoso, Kofi Annan, Jimmy Carter e outros líderes mundiais o grupo dos Elders, formado por Nelson Mandela para discutir a paz e os direitos humanos.
Brundtland abre nesta quinta-feira (22) em Manaus o Fórum Mundial de Sustentabildade, evento anual que traz lideranças do setor ao Amazonas. Não chegará a se encontrar com FHC, que faz palestra no evento no dia seguinte. Em entrevista à Folha, ela falou de suas expectativas para a Rio +20.

Folha – A sra. não está de saco cheio dessa palavra “sustentabilidade”?
Gro Harlem Brundtland – Para mim a expressão é “desenvolvimento sustentável”. Esse é o conceito. Nos últimos dez anos, mais ou menos, as pessoas começaram a usar “sustentabilidade” como uma forma alternativa de dizer. Eu sempre tive muito cuidado em não usar a palavra “sustentabilidade” sozinha enquanto conceito que cobre a visão para o futuro. Nós precisamos de sustentabilidade em diversas áreas, mas também precisamos de desenvolvimento sustentável. E eu não estou de saco cheio disso, porque não aconteceu ainda.
A sra. não acha que houve muito abuso e mau uso do conceito? Ele parece ter sido sequestrado por empresas para fazer “greenwash” (dar aparência de verde).
Sim. Acho que há mais abuso quando fala de sustentabilidade. Porque essa palavra foi introduzida depois, num contexto diferente, como se entregasse aquilo que o desenvolvimento sustentável significa. Você precisa olhar cada empresa para saber se elas estão adotando a sustentabilidade ou a responsabilidade social corporativa. Palavras sempre podem ser mal usadas. Mas você não pode simplesmente dizer: “Esse conceito foi distorcido, então deixamos o conceito de lado”. Porque eu não acho que nós possamos encontrar uma maneira nova e melhor de descrever do que trataram a nossa comissão e a Rio-92. Não vale a pena reinventar a roda porque alguém a roubou ou tentou roubá-la. Ela vai ser roubada de novo. Mesmo que alguém inventasse outra definição, e eu ainda não vi isso, eles encontrariam um jeito de fazer mau uso dela.
Vinte e cinco anos depois do Relatório Brundtland e 20 anos depois da conferência do Rio, o desenvolvimento sustentável entregou o que prometeu? Por que é tão difícil achar exemplos dele na prática?
Eu acho que a totalidade do conceito, a visão dos pilares econômico, ambiental e social numa abordagem integrada de longo prazo, um padrão de desenvolvimento sustentável, não aconteceu em lugar nenhum. Mas muitas mudanças aconteceram, movimentos numa melhor direção. O Protocolo de Montréal, entre a minha comissão e a Rio-92, é um exemplo. O mundo se livrou das substâncias que afetam a camada de ozônio.
Mas críticos dizem que isso só aconteceu porque já era de interesse das empresas.
Eu já ouvi isso. Mas acho que a história não é assim tão simples. Acho que as pessoas mais progressistas na indústria entenderam que aquilo não podia continuar. Esse é um exemplo simples, de um único setor, muitos outros casos de sucesso em setores específicos aconteceram. Mas, é claro, não houve sucessos globais semelhantes, e os gases de efeito estufa são um exemplo de abordagem ampla e global que envolve todos os setores da economia. Daí a dificuldade de chegar a um resultado.
E, no entanto, o clima não será tratado na Rio +20.
Existem os trilhos da convenção [do clima das Nações Unidas]. Não queremos mais uma conferência do clima no Rio. Depois do colapso de Copenhague, houve no México passos no sentido de os países discutirem cara a cara o que é preciso fazer no futuro. E em Durban, no ano passado, as pessoas se deram conta de que não existe maneira de lidar com a questão climática se você fizer crer que isso é algo que os países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico] podem resolver sozinhos. As emissões da OCDE eram 50% do total mundial, agora são menos de 30%.

A sra. é europeia, e os europeus sempre negociaram acordos internacionais com metas e prazos. Durban mudou isso, passou a focar em processos. O Rio aparentemente está nesse rumo. A sra. não acha que isso pode dar à sociedade a impressão de que só se está entregando promessas?
Isso é uma questão de realismo. Os europeus se deram conta de que os líderes mundiais não serão capazes de chegar a esse grau de detalhamento sobre metas e sobre a divisão de quem faz o quê. Mas eu não acho quer a UE vá parar de tentar colocar regras e metas na sua agenda interna. Voltando ao Rio, se nós não chegarmos a acordo sobre as metas de desenvolvimento sustentável, precisamos pelo menos concordar que elas precisam ser desenvolvidas. Talvez também algum acordo sobre as áreas que elas deverão cobrir. Que deve haver um sistema global de regras de desenvolvimento sustentável que se aplique a todos os países.

A questão do financiamento ao desenvolvimento sustentável pode impedir um acordo no Rio?
Pode ser. Mas, se você se lembrar do que aconteceu em Copenhague, mesmo sob pressão de uma crise econômica houve um compromisso significativo de finanças. Isso pode acontecer novamente no Rio. A economia agora parece melhor do que há um ano ou dois atrás.

Países emergentes como o Brasil reclamam bastante de que os ricos já usaram todos os seus recursos naturais e agora o ônus da conservação ficou conosco. Eles têm razão em reclamar?
Essa litania está aí desde a comissão. E no relatório da comissão nós reconhecemos que não, não podemos dizer ao mundo em desenvolvimento “desculpem, nós já enchemos a lixeira e agora vocês não podem mais jogar o seu lixo”. Então nós precisamos transferir tecnologia, ajudar o mundo em desenvolvimento a superar a pobreza, dando dinheiro. Aí a pergunta é: o mundo desenvolvido fez isso? E a resposta é não o bastante. Você pode reclamar de que não tenha havido esforço suficiente para superar essas diferenças, mas não pode esquecer que este é o mundo em que vivemos, nem discutir o que deveria ter acontecido no Reino Unido quando eles começaram a Revolução Industrial.

Quais foram os principais avanços no desenvolvimento sustentável nestes 20 anos?
Houve uma mudança considerável no uso de energia, nos padrões de eficiência energética. O que você pode ganhar aumentando a eficiência energética está longe de estar realizado, as coisas estão acontecendo, ainda que lentamente. Este pode ser um dos grandes temas para o Rio.

A agenda da conferência está diluída demais?
Esta é uma conferência grande, com muitos países diferentes, muitos interesses diferentes. Você viu o “Rascunho Zero”? Ele é muito fraco. Mas rascunhos zero sempre são fracos. Porque qualquer coisa controversa, que tenha objeção de alguns países, é deletada. Mas eu nunca vi uma conferência internacional que se pareça com o rascunho zero. Quando os países se juntarem, e as ONGs pressionarem, ele será melhorado. E eu prevejo que, na conferência, ele será melhorado ainda mais, em áreas cruciais. Porque países levantam objeções no rascunho zero, deletam coisas, mas aí as forças começam a se mobilizar e essas coisas voltam ao texto.

Quais seriam, na sua opinião, os indicadores de que a conferência do Rio foi um sucesso?
Espero que haja acordo quanto à criação de um Conselho de Desenvolvimento Sustentável [na ONU], quanto à instituição de relatórios nacionais regulares de desenvolvimento sustentável com transparência, pelos quais os países prestem contas para o resto do mundo.

E o maior risco de fracasso?
Não sei. Há a questão financeira, da qual falamos mais cedo. Mas, sabe, existe muito dinheiro hoje que está parado porque as pessoas têm medo. Quem tem dinheiro não sabe onde investi-lo. Então, uma clareza maior sobre institucionalizar sistemas que possam melhorar o uso de fundos públicos e de investimentos privados muito mais amplos em energia, por exemplo, é uma questão importantíssima que pode sair do Rio. O Rio pode obter um acordo sobre a realocação desse dinheiro, que é necessária e útil: mais empregos, menos energia, menos uso de recursos naturais.

Existe algum país que possa liderar na economia verde?
A Coreia do Sul fez muitos esforços nessa direção.

Como o Brasil está indo?
O país é tão grande e há tantos aspectos que eu não sei o bastante para responder. Mas muita coisa está acontecendo. Há uma melhora na questão do desmatamento na Amazônia, que pode ser medida. Mas está muito melhor agora do que quando viemos em 1985. Eu me lembro que estive em Manaus com um governador famoso [Gilberto Mestrinho] que achava uma estupidez isso de os ambientalistas virem dizer o que fazer com a Amazônia. Quanto estivemos em Cubatão, aquilo era um dos casos mais graves de poluição industrial. Hoje é um exemplo de como as coisas mudam.

Fonte: Folha.com/Ambiente



Água Doce: O ouro líquido do século XXI

on quinta-feira, 22 de março de 2012



A água doce será o ouro do século XXI !!!

Muitos de nós por não ter conhecimento aprofundado sobre o tema acredita que a água nasce da terra e por isso gastamos sem medidas, mas estamos totalmente errados, não vai nascer água no planeta e por isso ela é finita.

Muitos conflitos já estão se generalizando em vários países do mundo principalmente no Oriente Médio, o fato é que tem sido burrice nossa combater a seca, o que devemos fazer é conhecer bem o fenômeno e aprender a conviver com ela.

Você imagina como será o nosso futuro? A resposta é simples ou importaremos água ou exportaremos população. A distribuição de água é obrigação do governo, mas não podemos esquecer que também temos que fazer a nossa parte. Como?

Economizando, reciclando, reutilizando, usando de maneira correta e principalmente jogando o lixo na lixeira para que não vá parar em nossos rios, lagos, lagoas e açudes.

Eu creio que a EDUCAÇÃO AMBIENTAL é um dos instrumentos fundamentais para garantir um bom resultado na conservação dos nossos recursos naturais, mas é preciso ter a percepção que ela não é a solução de tudo, ou será usada como remédio para nossas mazelas culturais, a mesma apenas será o ponto de partida, o apoio, sem ela nós não teremos sentido e sem nós ela não terá sentindo.


Sem Água não há vida,
mas sem Educação não há salvação...
( João Ferreira Filho - Coronel das Águas)

Declaração Universal dos Direitos da Água


A água é a substância fundamental para a ocorrência e manutenção da vida. De fato, mesmo com todo o aparato tecnológico disponível, ainda não fomos capazes de encontrar outro planeta que possua água em seus três estados clássicos da matéria: sólido, liquido e vapor. Nesse sentido, a Terra é um planeta único por reunir condições climáticas e geológicas em perfeito equilíbrio para a existência dessa maravilha denominada VIDA.
 Nosso planeta poderia muito bem ser chamado Água, ao invés de Terra, uma vez que 70% de nosso planeta é constituído de água. No entanto, embora cerca de 2/3 da superfície terrestre seja coberta de água, apenas 0.007% é própria ao consumo humano e uso em processos industriais, pois o restante se encontra forma de água salgada (97%) ou são inacessíveis por se encontrarem em  geleiras (1.750%) e fontes subterrâneas (1.243%).
 Ou seja, água útil para uso humano e industrial é um recurso escasso e que, portanto, deve ser tratado com respeito e consciência  por todos.
 Em verdade, um dos grandes desafios de nosso século é a garantia ao acesso a fontes de água próprias para o consumo humano e uso em processos industriais. Infelizmente, fontes de água doce superficiais (lagos, rios, etc) vêm sofrendo os efeitos do descompromisso ambiental, colocando em sério risco as reservas hídricas disponíveis em nosso planeta.
       O planeta Água tem sede.

     Justamente por sua enorme importância a Água tem o seu próprio dia!
Claro, a preocupação com o uso sustentável da Água deve ser diária, no entanto, na intenção de se criar um momento de reflexão global, a ONU – Organização das Nações Unidas declarou o dia 22 de março como o Dia Mundial da Água através da resolução A/RES/47/193 – 22/fev/1993 [4].
 Em 22 de março de 1992 a ONU publicou um documento intitulado Declaração Universal dos Direitos da Água, onde podemos encontrar um conjunto de posturas e atitudes com relação ao uso sustentável da água. Ao todo são 10 artigos que, em princípio, devem ser tema de reflexão, discussão e análise nas mais diversas atividades dedicadas à celebração desse dia.
 Vamos aos Artigos:
Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura e a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado no Art. 3º da Declaração dos Direitos do Homem.

Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.
Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.
Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.
Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.
      O uso racional e sustentável de Água está longe de ser um fim a ser alcançado facilmente, mas sim um caminho a ser trilhado continuamente, dia-à-dia. Avaliando-se a cada passo dado a possibilidade de redução do Water footprint  buscando novas alternativas para as atividades, tanto pessoais como industriais, que envolvem tão precioso elemento que é a Água.
      Recordando que a realidade hídrica varia de região para região, devemos focar nossa atenção à comparação do uso da Água com a realidade local e, assim, adotar políticas de uso da Água que se adequem a essa realidade.
      Como não poderia deixar de ser, umas das atitudes fundamentais é a atenção à Educação sobre o tema. Educar-se, e educar nosso futuros sucessores com sobre os conceitos de Sustentabilidade Ambiental e relaciona-los com a Água e seu uso.
      Agindo assim não estaremos atuando só no presente, mas desenhando um futuro melhor e próspero em Água!


22 de março - Dia Mundial da Água

Dia do Turismo Ecológico

on quinta-feira, 1 de março de 2012


Desenvolvimento Sustentável e Ecoturismo

A sustentabilidade ecológica é um elemento essencial dos valores básicos que fundamentam a mudança da globalização. Por isso, várias ONGs, institutos de pesquisa e centros de ensino pertencentes à nova sociedade civil global, segundo Capra (2002) escolheram a sustentabilidade como o tema específico de seus esforços. Com efeito, a criação de comunidades sustentáveis é o maior desafio dos nossos tempos.

De acordo com o código de ética difundido pela OMT (Organização Mundial do Turismo), os empreendedores do setor de turismo, bem como os funcionários da atividade e os turistas, devem observar as condições naturais do ambiente, bem como as tradições culturais e sociais e as práticas de todas as populações nativas, incluindo as minorias e os grupos indígenas, assim como o reconhecimento do valor destes. Neste contexto, a atividade turística deve ser conduzida em harmonia com a natureza e com os atributos e tradições dos núcleos turísticos receptores e em respeito com suas leis, práticas e costumes.

Teixeira (2002), diz que é necessário o desenvolvimento do turismo em bases eco-sustentáveis, de forma que este possibilite conciliar o interesse das atividades turística com a urgente necessidade de poupar e preservar os recursos naturais, para que as gerações atuais e também vindouras, não tenham sua qualidade de vida afetada negativamente.

A Agenda 21 traz no capítulo 9, seção II, duas considerações que se relacionam diretamente com a atividade de turismo. A primeira diz respeito à energia, fator-chave para o desenvolvimento de qualquer setor. Segundo a agenda, as formas atuais de produção, transmissão, distribuição e consumo de energia não podem atender às necessidades crescentes de modo sustentável, sendo que o uso da mesma deve respeitar a atmosfera, a saúde humana e o meio ambiente como um todo. Neste contexto, maior ênfase deve ser dada à utilização de fontes novas e renováveis de energia.

A indústria da hospitalidade, de acordo com Teixeira (2002), é uma grande consumidora de energia e por isso, devem ser incluídas, no planejamento turístico para determinada localidade, soluções alternativas que visem à racionalizar o consumo de energia.

Outra proposta que se encontra na Agenda 21, também no capítulo 9, seção II e que está relacionada ao turismo é a de: “Limitar, reduzir e controlar as emissões atmosféricas do setor de transportes, particularmente o terrestre, transformando-o num sistema menos poluente e mais seguro”.

O deslocamento turístico, segundo Teixeira (2002) implica na utilização de sistemas de transporte e o transporte de superfície, em especial, é um grande poluidor da natureza, posto que emite o dióxido de carbono para o ar, um dos gases componentes do CFC’s – clorofluorcabonetos, responsáveis pela destruição da camada de ozônio que protege a terra contra os raios solares nocivos. Com a destruição desta camada de ozônio surge o chamado Efeito Estufa, que está entre os problemas ambientais mais graves, representando uma ameaça à manutenção do equilíbrio ecológico necessário à sobrevivência das diversas formas de vida existentes no planeta. O Efeito Estufa é responsável pelo aquecimento global e, conforme previsões de alguns cientistas cidades como Nova York, Veneza e Rio de Janeiro tenderão a desaparecer devido ao aumento do nível do mar. Posto isto, verifica-se que turismo nessas regiões estaria totalmente comprometido, além dos danos causados as comunidades locais.

A OMT, através da sua Assembléia Geral, fez claras referências acerca da importância de promover a implantação das Convenções Internacionais sobre o Ambiente e Desenvolvimento, incluindo a da Mudança Climática. Também a OMT criou o Comitê Mundial de Ética do Turismo encarregado de interpretar e aplicar as disposições do Código Ético Mundial para o Turismo, servindo de referência para diversos atores do setor, garantindo proteção ambiental e ao patrimônio cultural, assim como uma distribuição equilibrada dos benefícios do turismo.

Paralelamente a essas ações normativas, e devido a que as atividades do ecoturismo, Verdinelli (2002), diz que por sua própria concepção são ambientalmente sustentáveis, tiveram uma rápida expansão no mundo e terão, espera-se, crescimento no futuro, a organização das Nações Unidas, reconhecendo sua importância global, designou o Ano 2002 como o Ano Internacional do Ecoturismo. Para a preparação e coordenação dos eventos programados a OMT e a UNEP – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, unirão seus esforços, sob a premissa do desenvolvimento sustentável.

As atividades do ecoturismo sem dúvida, minimizam os impactos negativos sobre o ambiente natural e sócio-cultural, transformando-se num suporte à proteção das áreas naturais, gerando benefícios econômicos para as comunidades de stakelholders, promovendo empregos alternativos e oportunidades, sem interferir na diversidade cultural.

O Ano Internacional do Ecoturismo para Verdinelli (2002) poderá oferecer uma oportunidade impar para rever as experiências nos mais diversos ambientes, no sentido de consolidar ferramentas e as estruturas institucionais que garantam seu desenvolvimento sustentável no futuro. Do debate e deliberações que venham acontecer durante a Reunião Principal programada, espera-se que se estabeleçam diretrizes que sirvam de subsídios para maximizar os benefícios ambientais, econômicos e sociais do ecoturismo, enquanto se evitam os impactos negativos ocorridos no passado.


Fonte: http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?id=23138

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